Polícia conclui inquérito e aponta que sargento fez disparo que matou jovem durante abordagem em Manaus

  • 01/05/2026
(Foto: Reprodução)
Vídeos mostram disparos feitos por policial em caso de morte de jovem em Manaus A Polícia Civil do Amazonas concluiu o inquérito que apurou a morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, durante uma abordagem policial em Manaus, e apontou que o disparo que atingiu a vítima foi feito pelo sargento da Polícia Militar, Belmiro Wellington Costa Xavier, que foi indiciado por homicídio. Carlos André foi atingido com um tiro no peito na rua 6, bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste da capital, no dia 19 de abril. Uma câmera de segurança registrou a abordagem. Nas imagens, é possível ver o momento em que o jovem é cercado e agredido pelos policiais. De acordo com a investigação, o sargento efetuou dois disparos durante a ocorrência. O primeiro teria sido feito para o alto, como forma de advertência. Já o segundo tiro atingiu o jovem na região do peito e causou a morte de Carlos André. Os dois disparos também podem ser vistos em imagens da viatura e de câmeras de segurança. Assista acima. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo o inquérito, a abordagem começou após Belmiro e o policial Hudson Marcelo Vilela de Campos, que dirigia a viatura, identificarem uma motocicleta sem placa e iniciarem perseguição. Durante o acompanhamento, ainda com a viatura em movimento, ocorreu o primeiro disparo. Na sequência, após a vítima perder o controle da moto e cair, o jovem se levantou e foi em direção à viatura. Nesse momento, ocorreu o segundo disparo, que o atingiu. As investigações também apontam que os tiros registrados pelas câmeras permitiu esclarecer a dinâmica da ocorrência. Com base nas provas reunidas, o sargento Belmiro Wellington Costa Xavier foi indiciado por homicídio. A investigação aponta que houve "dolo eventual", quando o agente assume o risco de causar a morte ao efetuar disparos durante a ação. O inquérito também aponta que o policial utilizava uma arma de uso particular no momento da ocorrência. O g1 tenta contato com a defesa do policial. Belmiro Wellington Costa Xavier Divulgação Motorista da viatura não foi indiciado O policial militar Hudson Marcelo Vilela de Campos, que dirigia a viatura, não foi indiciado. Segundo a Polícia Civil, não há indícios de que ele tenha participado dos disparos. A suspeita inicial sobre o motorista surgiu porque havia a hipótese de que o tiro teria sido efetuado após a vítima já estar caída. No entanto, as imagens analisadas indicaram que os disparos aconteceram durante a perseguição, afastando essa possibilidade. A Justiça do Amazonas decidiu revogar a prisão de Hudson, nesta quinta-feira (30), após pedido feito pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), que apresentou os vídeos anexados ao processo indicando que os disparos foram feitos pelo outro policial que estava na viatura. A defesa da família de Carlos André afirmou que discorda da decisão que deixou de indiciar o policial que dirigia a viatura e sustenta que ele também teve participação nas agressões. Segundo o advogado Alexandre Torres Jr, imagens de câmeras de segurança mostram que, após o jovem já estar baleado, o policial teria descido do veículo e o agredido com golpes na cabeça e chutes. A defesa também denunciou que a família vem sofrendo intimidações e criticou a condução do caso, citando dificuldade de acesso completo às investigações. Diante disso, informou que vai adotar medidas para tentar incluir o policial no processo e pedir que ele volte a ser preso. PERFIL: Quem era o jovem morto após abordagem da Polícia Militar em Manaus Relembre o caso De acordo com familiares da vítima, o rapaz estava em uma motocicleta quando foi abordado por policiais militares por volta das 2h45. A mãe dele relatou que, ao chegar ao local, encontrou o filho caído no chão, com a moto ao lado. Segundo ela, os policiais inicialmente afirmaram que o jovem havia sofrido um acidente. "Quando eu cheguei lá, eu fui desesperada pra cima do corpo. Falaram que eu não podia chegar perto, que ele tinha sofrido um acidente, colidido com a calçada e quebrado o pescoço. Até então, eu me conformei, fiquei lá esperando a perícia. Nisso que a perícia chegou, a primeira coisa que eles fizeram foi virar o corpo e apontar o tiro que ele tomou no peito", disse a mãe. Uma câmera de segurança registrou a abordagem. Nas imagens, é possível ver o momento em que o jovem é cercado e agredido pelos policiais. Segundo a mãe da vítima, testemunhas relataram que os agentes impediram pessoas de se aproximarem do local após os disparos. Carlos André, de 19 anos, morto durante abordagem da PM em Manaus. Reprodução/Redes Sociais "O que eles fizeram foi totalmente desumano. Eles não foram fazer uma abordagem, eles vieram para matar", afirmou a mãe. O irmão da vítima, que é tenente da Polícia Militar, também compareceu ao local. A ele, os policiais teriam contado outra versão: de que efetuaram disparos para o alto, mas a família questiona como o tiro teria atingido o peito do jovem. Segundo o laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), a morte foi causada por ferimentos por projétil de arma de fogo. Também foi constatada lesão no pulmão. Morte durante abordagem policial: familiares e amigos cobram justiça em Manaus - part.2

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/05/01/policia-conclui-inquerito-e-aponta-que-sargento-fez-disparo-que-matou-jovem-durante-abordagem-em-manaus.ghtml


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